IndigestoQuanto tempoquanta energiaPor causa de um segundode desatençãoQuanto tentouma sinergiaE acabo acuada num profundobecode desolaçãoMas tem nada nãoeu bebo: tu sebo.A gente escorregasem tréguana garganta escorregadiada golea-cosmona garganta escorregadiada goela-mundoeu nada possonós, um pouco de tudoSe você ainda quiser me engolireu deixo você vireu não me descontrolo maiseu não te controlo maisEu deixo que você me comaeu dou o corpo à somaestúpidaestapafúrdiaeu doumas a indigestão dará em vocêe, ao final, é só desprazer.
passado, pelas 14:07
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prontopara fredrik boethius
tirou uma moeda da cartola e disse, sou alheio.
acendeu um cigarro no fogo que soltava pelos olhos e disse,
sou poeta.
brincou de corrida no parque,
quietou-se, brincou de corrida na praça.
cuspiu uma moeda na fonte do cemitério e disse, prazer,
sou de todos.
pintou-se de corrida em frente ao mausoléu e pensou, sou tolo, mas sou feliz;
sigo.
plantou esperança
no coração de uma pedra, que disse, sou eterna.
cantou bem baixinho a canção que todos conheciam
e disse, sou do mundo.
abriu uma fresta na nuca de cada estrela e encantou. fez-se festa.
o dia em que parou e pensou, realizou que um sonho
como aquele, de poeta,
era muito mais que o pássaro em chamas, como olhar,
como flecha:
sentou e creditou ao fogo, ao amigo do fogo e aos que queriam o fogo
uma máxima de amor e pedra, eternizou-se.
passado, pelas 00:29
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para minha mãe
Entrego as armas ao irmão que não tenho. Entrego-as hoje para amanhã pensar sereno. Como as gotas que caem quando a gente chora e chove. Como aquele sangue que corre e não deixa senão o vermelho.
Assim me despeço do medo. Sem a coragem dos bravos, mas breve enquanto é tempo. Outro dia entendi que não há nada além do risco. De ser para o que não se sabe. De dar-se para o que nunca é seu.
Porque ali onde a gente planta abrigo, nasce colo. Novo ainda e macio. Embalado por notas de canção e cânfora. Um pouco de si na intimidade do corpo alheio. Novelo de coisas tantas e das pessoas afora e fora de nós.
Vejo o sol nascer e é o dia-a-dia da lida que me faz crer. Nada acima mais que ao lado. Só o muito de caminharmos e as mãos dadas por toda a estrada.
Não me apego aos cabelos.
Desaprendo o belo.
Espero.
passado, pelas 12:24
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Trinco.Eu volto sem irEu vou sem olhar pra trásEu olho pra trás e fico aliAo gosto da maresia e sem caisTendo ânsiaPor causa de um profundo desgostoMesmo em face de um profundo gozoDe outroraDe um tempo de aliançasPassadoa limpoAos papéisdo divórciodo super-ego com o zeroOs anéise seus trincosnão cabem maisNão significam maisRestando só o símbolodo findoA fundo, o rasoO despeito aos acasosO respeito aos incautos Os náuticos de um mar de lágrimasCujo vocabulário dispensa as aspasCuja vida é uma eterna partida às terras não-vistas
passado, pelas 16:46
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é o meu sorriso,
é meu pára-brisa,
meu jeito de pisar em flor.
é meu segredo,
é meu desvio,
meu guia dos curiosos.
faz fita púrpura,
mistura sonho e escarlate,
faz do pó um chá um beijo,
ela faz a minha fé.
é todo samba, é tanto funk
é lírio, minha rosa, meu amor.
passado, pelas 02:35
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bênção solene
Jesus bateu em inha porta
com missão sacramental:
'ide e batizai todas as nações'.
mas não sou pedra,
não posso edificar a sua igreja
e me recolho aos meus pequenos pecados,
cometendo pequenos delitos
religiosamente.
passado, pelas 19:55
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