Golpe de EstadoUm gole e um trago
Um bode e um caldo
Um gole e um trago
Um mole e um rato
Um gole e um trago
Um bofe e um rabo
passado, pelas 14:45
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próximo
formiga em mim
um desatino, vai me
coçando as veias.
desde menino, caindo
as migalhas de uma
ceia que não é minha.
não sei se fascina assim
a vela amiga que
me pinga a cera.
à mesma hora,
cutuca um estopim que
ralha inteira a mesma missa.
só que não queima agora
a brasa que insinua,
nem incendeia este destino:
é pólvora rasgando
meu sangue
como areia.
passado, pelas 01:01
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Dama da Noite
É um almoço que não tem fim
pois se a comida é boa
as palavras maternas
são insossas
são indigestas
É uma tarde que não tem fim
pois se o trabalho é pouco
as idéias são muitas
e o meu troco
não paga a multa
É uma conversa que não tem fim
pois se o idioma é o mesmo
a língua não é igual
cospe à esmo
enrola o substancial
É um sol que não tem fim
pois se há óculos-escudosa visão não chega ao fundo
a retina não alcança o vital
a retina não alcança o nervo
É uma noite que não tem começo
pois se a lua se impusesse
já seria um recomeço
ainda que nada se propusesse
já seria um ensejo
Porque a noite não se acaba
a noite tão somente
se resguarda
A noite deixa que o dia
faça a sua cama
mas é dela toda a fama
A noite deixa que o dia
seja o seu vigia
Mas o drama
é que o dia se encanta.
passado, pelas 16:33
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